domingo, 8 de julho de 2012

O civismo e a falta de educação dos jovens portugueses

Com certeza que todos já repararam em alguns casos nos quais é notável a carência de civismo e mesmo de educação nos jovens portugueses. É certo que nem todos assim o são, mas alguns demonstram essa lacuna em várias situações do dia-a-dia, como no desrespeito para com os outros, ou até mesmo no facto de recusarem ajudar um idoso ainda que numa tarefa simples. Apesar de passar também pelos adolescentes em si, tudo começa na educação a que são sujeitos, sendo que uma criança bem educada a esse nível terá maior pré-disposição a ser um ícone de civismo, destacando-se pela positiva em relação aos restantes. Assim também o afirma de forma indirecta John Locke com a metáfora da “tábula rasa” (expressão latina que significa “tábua raspada”). Nesta metáfora, o filósofo inglês compara o ser humano a uma “tábula rasa” que é trabalhada de forma a que apareça um produto final (isto relativamente à explicação da formação do conhecimento), sendo a “tábula rasa” o recém-nascido que irá aprender com a interacção com o meio, o trabalho realizado na tábua a educação aplicada neste, e, por fim, o produto, que se trata do ser adulto já “trabalhado”. Para além da educação recebida, acredito também que o meio físico e social em que a criança se desenvolve possa influenciar o seu comportamento. Se observarmos e compararmos o desenvolvimento de crianças em meios rurais e em meios urbanos, podemos constatar que no meio rural existe uma conexão mais forte e íntima entre as crianças, devendo-se tal a uma maior liberdade destas. Nos meios urbanos, as crianças passam grande parte do tempo em casa uma vez que as ruas das cidades são locais perigosos para os infantes, sendo os amigos substituídos por consolas. Tal não se verifica no meio rural. Neste espaço, a criminalidade é reduzida, sendo que os pequenos juntam-se bastas vezes, o que enraíza amizades profundas e um sentimento forte de união, o que conduz a uma menor insensibilidade e maior desprezo por parte destes “aprendizes da vida”. Para além deste facto, num meio mais pacato as crianças desenvolvem-se em contacto com o trabalho e com a Natureza, sendo que apresentam outra perspectiva de vida em relação às crianças que se desenvolveram num meio citadino. Assim, com tais argumentos, concluo que realmente existem diversos casos de falta de civismo e educação nos jovens, devendo-se tal à sua educação e ao contacto com uma sociedade atabalhoada e de consumo exagerado. Finalizo ainda esta dissertação com a consciência de que nada dependente do Homem é permanente, o que me leva a acreditar numa possível mudança, o que seria um gigantesco passo no processo de busca de uma sociedade ideal. 

Fábio Sabino T. Martins 
06/07/2012 

Nota: Escrevo com antigo acordo ortográfico como forma de protesto contra a mudança

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