Muitos
serão aqueles que já se depararam a pensar: “Será que o ensino em Portugal é
bom?”; “Será que o sistema funciona pelo menos a esse nível?”. Não, o sistema
não funciona.
Alguns
pensarão: “Estará a culpa nos professores?”...Não! É verdade que há professores
que não cativam os alunos, mas essa não é a sua função. Estes devem apenas
saber vigorosamente a matéria a leccionar (e sabem) de forma a que consigam expô-la
e explicá-la de uma forma razoavelmente descomplicada, não sendo obrigados a
cativar os alunos, até porque o processo de aprendizagem não é só um dever do
professor, devendo resultar de uma forte cooperação entre o docente e o
educando.
E
agora surge outra dúvida: “Se assim é, será que a culpa reside no aluno?”.
Depende do ponto de vista. Se observarmos casos de alunos sem perspectivas de
futuro, acredito que sim, mas para esses este tópico não tem interesse. Devido
a tal, falemos da outra facção, aquela constituída por aqueles que realmente se
preocupam. Deste prisma, acredito veementemente que não. Penso inclusive que
basta observar um pouco os estudantes em época de exames, que se esforçam para
obter bons resultados.
Escusado
também será dizer que a culpa se encontra no estabelecimento de ensino porque,
apesar de poder ter alguma influência, esta será mínima.
Se
todos estes factores estão, no mínimo, a funcionar de forma apropriada, se há
uma boa qualidade de ensino e há interesse por parte dos alunos, a que se deve
a culpa dos resultados relativamente comprometedores? A culpa reside nas
disciplinas em si. Não na forma como estas são leccionadas, mas na forma como
estas influenciam o futuro de cada aluno em particular. Vejamos o exemplo de um
aluno que desde infante se habituou a
trabalhar com computadores e/ou com máquinas em geral, aluno este que é capaz
de efectuar o mesmo trabalho, ou até de forma mais proveitosa, que um técnico.
De certeza que o dito aluno seria um excelente profissional na área em questão,
mas não o consegue. “Porquê?”, perguntará certamente o leitor. Porque
simplesmente está sujeito a avaliações noutras disciplinas, avaliações estas
que impedirão a sua formação universitária.
Assim
podemos facilmente concluir que o facto de um educando ter, por vezes,
insucesso deriva da forma como este é avaliado.
Um
dia tive o prazer de observar e analisar uma simples tira de jornal que se
apresentava como um bom exemplo do meu ponto de vista. A dita imagem consistia
na presença de um sujeito cuja indumentária remetia para que este fosse
minimamente abastado. Este sujeito, que se encontrava numa secretária, estava a
explicar a diversos animais, dos quais se destacavam um macaco, um peixe, uma
cobra e um elefante, que estes seriam sujeitos a um teste equitativo para os
avaliar, o qual consistia em escalar uma árvore relativamente alta.
Pessoalmente, considero este exemplo uma boa metáfora para caracterizar o
sistema de ensino em Portugal. Tal como o macaco é mais apto para realizar o
teste do que o elefante, por exemplo, também haverão alunos com maior
capacidade para se adaptarem ao presente sistema de ensino, mas certamente que
haverão alunos (e em maior número, acredito) que terão óptima aptidões para a
realização de outros serviços, mas como são sujeitos à mesma avaliação, perdem
a oportunidade de alcançarem elevados patamares nas áreas em que seriam
produtivos a nível máximo.
Assim
concluo que o sistema não funciona adequadamente e que, devido a tal facto, têm
vindo a ser perdidas mentes brilhantes, talentos inexplorados, verdadeiros
poetas na pele de trolhas, verdadeiros biólogos na agricultura, verdadeiros
economistas que se encontram a servir ao balcão e outras tantos que fazem falta
a um Portugal com potencialidades para ser próspero, mas que, por serem
fracamente apoiados, acabam por desempenhar funções que podem nem ser do seu
agrado, sendo que a sua produtividade é reduzida quase ao patamar do nulo.
Sei
que a minha palavra é apenas mais uma num mar imenso, mas espero que consiga
alterar algumas mentalidades, não implicando isto que passem a tomar a minha
opinião, mas sim que despertem e reflictam em assuntos que, tal como este, são
fundamentais para a manutenção da sociedade como a conhecemos.
Fábio Sabino T. Martins
27/06/12
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