terça-feira, 3 de julho de 2012

O Ensino em Portugal



Muitos serão aqueles que já se depararam a pensar: “Será que o ensino em Portugal é bom?”; “Será que o sistema funciona pelo menos a esse nível?”. Não, o sistema não funciona.
Alguns pensarão: “Estará a culpa nos professores?”...Não! É verdade que há professores que não cativam os alunos, mas essa não é a sua função. Estes devem apenas saber vigorosamente a matéria a leccionar (e sabem) de forma a que consigam expô-la e explicá-la de uma forma razoavelmente descomplicada, não sendo obrigados a cativar os alunos, até porque o processo de aprendizagem não é só um dever do professor, devendo resultar de uma forte cooperação entre o docente e o educando.
E agora surge outra dúvida: “Se assim é, será que a culpa reside no aluno?”. Depende do ponto de vista. Se observarmos casos de alunos sem perspectivas de futuro, acredito que sim, mas para esses este tópico não tem interesse. Devido a tal, falemos da outra facção, aquela constituída por aqueles que realmente se preocupam. Deste prisma, acredito veementemente que não. Penso inclusive que basta observar um pouco os estudantes em época de exames, que se esforçam para obter bons resultados.
Escusado também será dizer que a culpa se encontra no estabelecimento de ensino porque, apesar de poder ter alguma influência, esta será mínima.
Se todos estes factores estão, no mínimo, a funcionar de forma apropriada, se há uma boa qualidade de ensino e há interesse por parte dos alunos, a que se deve a culpa dos resultados relativamente comprometedores? A culpa reside nas disciplinas em si. Não na forma como estas são leccionadas, mas na forma como estas influenciam o futuro de cada aluno em particular. Vejamos o exemplo de um aluno que  desde infante se habituou a trabalhar com computadores e/ou com máquinas em geral, aluno este que é capaz de efectuar o mesmo trabalho, ou até de forma mais proveitosa, que um técnico. De certeza que o dito aluno seria um excelente profissional na área em questão, mas não o consegue. “Porquê?”, perguntará certamente o leitor. Porque simplesmente está sujeito a avaliações noutras disciplinas, avaliações estas que impedirão a sua formação universitária.
Assim podemos facilmente concluir que o facto de um educando ter, por vezes, insucesso deriva da forma como este é avaliado.
Um dia tive o prazer de observar e analisar uma simples tira de jornal que se apresentava como um bom exemplo do meu ponto de vista. A dita imagem consistia na presença de um sujeito cuja indumentária remetia para que este fosse minimamente abastado. Este sujeito, que se encontrava numa secretária, estava a explicar a diversos animais, dos quais se destacavam um macaco, um peixe, uma cobra e um elefante, que estes seriam sujeitos a um teste equitativo para os avaliar, o qual consistia em escalar uma árvore relativamente alta. Pessoalmente, considero este exemplo uma boa metáfora para caracterizar o sistema de ensino em Portugal. Tal como o macaco é mais apto para realizar o teste do que o elefante, por exemplo, também haverão alunos com maior capacidade para se adaptarem ao presente sistema de ensino, mas certamente que haverão alunos (e em maior número, acredito) que terão óptima aptidões para a realização de outros serviços, mas como são sujeitos à mesma avaliação, perdem a oportunidade de alcançarem elevados patamares nas áreas em que seriam produtivos a nível máximo.
Assim concluo que o sistema não funciona adequadamente e que, devido a tal facto, têm vindo a ser perdidas mentes brilhantes, talentos inexplorados, verdadeiros poetas na pele de trolhas, verdadeiros biólogos na agricultura, verdadeiros economistas que se encontram a servir ao balcão e outras tantos que fazem falta a um Portugal com potencialidades para ser próspero, mas que, por serem fracamente apoiados, acabam por desempenhar funções que podem nem ser do seu agrado, sendo que a sua produtividade é reduzida quase ao patamar do nulo.
Sei que a minha palavra é apenas mais uma num mar imenso, mas espero que consiga alterar algumas mentalidades, não implicando isto que passem a tomar a minha opinião, mas sim que despertem e reflictam em assuntos que, tal como este, são fundamentais para a manutenção da sociedade como a conhecemos.

Fábio Sabino T. Martins
27/06/12

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